mas se eu sorri é por você
Querido diário,
Hoje eu pensei em falar com ela e dizer o quanto estava errado. Queria pedir desculpas e dizer que meus dias estão sendo horríveis sem tê-la ao meu lado, sem ter com quem conversar e rir de coisas bobas. Queria dizer, também, que eu ainda a amo e sinto uma saudade imensa dela. Mas eu não disse nada disso. Eu não tive coragem.
K. Shibahara. 
É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendida, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim, um recomeço.
Caio Fernando Abreu.
Talvez escrever fosse uma forma de lamento.
Charles Bukowski.  
— Meu nome é Hazel. O Augustus Waters foi o grande amor estrela-cruzada da minha vida. Nossa história de amor foi épica, e não serei capaz de falar mais de uma frase sobre isso sem me afogar numa poça de lágrimas. O Gus sabia. O Gus sabe. Não vou falar da nossa história de amor pra vocês porque, como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser. Eu tinha a expectativa de que ele é quem estaria fazendo meu elogio fúnebre, porque não há ninguém que eu quisesse tanto que…— Comecei a chorar. — Tá, como não chorar. Como é que eu…Tá.
Respirei fundo algumas vezes e retomei a leitura.
— Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei se uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso.
A Culpa é das Estrelas.  
A grande verdade é que no fundo, ninguém gosta de ser solitário. No fundo todos gostariam de ter todos os dias alguém pra conversar, abraçar e quando for preciso chorar no ombro. É horrível passar dias sem trocar uma palavra com alguém que não seja seus pais ou irmãos. É horrível se sentir só.
Escritora de Boteco.
E por trás desse orgulho todo, tem uma pessoa morrendo de vontade de dizer, que sentiu saudades o dia inteiro.
Bob Marley.  
Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu. Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu. Quando criança só pensava em ser bandido, ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu, era o terror da sertania onde morava e na escola até o professor com ele aprendeu. Ia pra Igreja só pra roubar o dinheiro que as velhinhas colocavam na caixinha do altar, sentia mesmo que era mesmo diferente, sentia que aquilo ali não era o seu lugar. Ele queria sair para ver o mar, e as coisas que ele via na televisão. Juntou dinheiro para poder viajar, de escolha própria escolheu a solidão. Comia todas as menininhas da cidade e de tanto brincar de médico aos doze era professor, aos quinze foi mandado pro reformatório onde aumentou seu ódio diante de tanto terror. Não entendia como a vida funcionava, a discriminação por causa da sua classe e sua cor. Ficou cansado de tentar achar a resposta e comprou uma passagem, foi direto à Salvador. E lá chegando foi tomar um cafezinho e encontrou um boiadeiro com quem foi falar. E o boiadeiro tinha uma passagem, ia perder a viagem, mas João foi lhe salvar. Dizia ele “Estou indo pra Brasília, neste país lugar melhor não há. To precisando visitar a minha filha, eu fico aqui e você vai no meu lugar.” E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no planalto central, ele ficou bestificado com a cidade e saindo da rodoviária viu as luzes de Natal. “Meu Deus, mas que cidade linda! No Ano Novo eu começo a trabalhar.” Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro, ganhava cem mil por mês em Taguatinga. Na sexta-feira ia pra zona da cidade gastar todo seu dinheiro de rapaz trabalhador, e conhecia muita gente interessante, até um neto bastardo do seu bisavô. Um peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá. Seu nome era Pablo e ela dizia que um negócio ele ia começar. E o Santo Cristo até a morte trabalhava, mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar, e ouvia às sete horas no noticiário que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar. Mas ele não queria mais promessa e decidiu que como Pablo ele ia se virar, elaborou mais uma vez seu plano santo e sem ser crucificado, a plantação foi começar. E logo, logo os malucos da cidade souberam da novidade: “Tem bagulho bom aí!” e João de Santo Cristo ficou rico e acabou com todos os traficantes dali. Fez amigos, frequentava a Asa Norte e ia pra festa de rock pra se libertar. Mas de repente sob uma má influência dos boyzinhos da cidade começou a roubar, já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez. Violência e estupro do seu corpo “Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.” Agora o Santo Cristo era bandido destemido e temido no Distrito Federal, não tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general. Foi quando conheceu uma menina e de todos os seus pecados ele se arrependeu, Maria Lúcia era uma menina linda e o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu. Ele dizia que queria se casar e carpinteiro ele voltou a ser “Maria Lúcia, eu pra sempre vou te amar e um filho com você eu quero ter.” O tempo passa e um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão, e faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta, uma resposta de João. “Não boto bomba em bancas de jornal, nem em colégio de criança, isso eu não faço não. E não protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão. E é melhor senhor sair da minha casa, nunca brinque com um Peixes com ascendente Escorpião. Mas antes de sair, com ódio no olhar o velho disse “Você perdeu a sua vida, meu irmão.” “Você perdeu a sua vida, meu irmão, você perdeu a sua vida, meu irmão. Essas palavras vão entrar no coração e eu vou sofrer as consequências como um cão.” Não é que Santo Cristo estava certo, seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar, se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar. Falou com Pablo que queria um parceiro e também dinheiro e queria se armar. Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina. Mas acontece que um tal de Jeremias traficante de renome apareceu por lá, ficou sabendo dos planos de Santo Cristo e decidiu que, com João ele ia acabar. Mas Pablo trouxe uma Winchester-22, e Santo Cristo já sabia atirar. E decidiu usar a arma só depois que Jeremias começasse a brigar. Jeremias, maconheiro sem vergonha organizou a rockonha e fez todo mundo dançar. Desvirginava mocinhas inocentes, se dizia que era crente, mas não sabia rezar. E Santo Cristo há muito não ia pra casa, e a saudade começou a apertar. “Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia, já ta em tempo de a gente se casar.” Chegando em casa então ele chorou e pelo inferno ele foi pela segunda vez, com Maria Lúcia, Jeremias se casou e um filho nela ele fez. Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou. “Amanhã às duas horas na Ceilândia em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou. E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor. E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor. E Santo Cristo não sabia o que fazer, quando viu o repórter da televisão que deu notícia do duelo na TV, dizendo a hora, o local e a razão. No sábado então, às duas horas todo o povo sem demora foi lá só pra assistir. Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo, começou a sorrir. Sentindo o sangue na garganta, João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir, e olhou pro sorveteiro e pras câmeras, e pra gente da TV que filmava tudo ali. E se lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali, e decidiu entrar de vez naquela dança. “”Se a via-crucis virou circo, estou aqui.” E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu, ela trazia a Winchester-22, a arma que seu primo Pablo lhe deu. “Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é, e não atiro pelas costas não. Olha pra cá, filha da puta, sem vergonha, dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão.” E Santo Cristo com a Winchester-22 deu cinco tiros no bandido traidor, Maria Lúcia se arrependeu depois e morreu junto com João, seu protetor. E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer, e a alta burguesia da cidade não acreditou na história que eles viram na TV. E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente, pra ajudar toda essa gente que só faz… Sofrer.
Legião Urbana.
Je pense que je t’aime, foi o que ela disse: “Acho que gosto de você.” Ou: “Acho que amo você.” O verbo francês aimer pode significar as duas coisas. E era por isso que ele gostava dela e ao mesmo tempo a amava. Ela falava com ele numa língua que, não importava a quantidade de horas que fosse estudada, não poderia ser totalmente compreendida.
O Teorema Katherine.  
Quero morar contigo,
Pra ver teu riso,
De domingo a domingo.
Autor Desconhecido.